domingo, 19 de maio de 2013

GEODIVERSIDADE, CONCEITOS E VALORES - Parte 2: Valores


                
      A geodiversidade, assim como a biodiversidade, é de grande importância para os ecossistemas. No entanto muita da importância que hoje se lhe atribui passa pelos recursos e serviços que proporciona ao homem. Esta vertente da valorização antopocêntrica, muito assente em considerações economicistas, conduz a uma menorização do seu valor intrínseco (tal como sucede com a biodiversidade). Os valores que se têm evidenciado na geodiversidade refletem o que se acaba de dizer e reforçam, nessa perspetiva a necessidade da sua proteção.

Mas que valores são esses? A maioria dos autores utiliza para esse fim a proposta de Gray (2004), que a meu ver tem a virtualidade de inscrever o valor intrínseco à cabeça. 

Propostas de Gray sobre os valores da Geodiversidade: 


>Valor intrínseco - O mais subjetivo e difícil uma vez que se atribui independente da utilidade para o homem. Ele está no âmago das visões não antropocêntricas da natureza. No caso, e como diz Brilha (2005:34) “ A Geodiversidade terá um valor intrínseco independentemente da sua maior ou menor valia para o Homem”. 

>Valor cultural – Constituem-se como valores, a identificação e interdependência entre o meio físico e o desenvolvimento social, cultural e/ou religioso do Homem (com reconhecimento deste), mas também as questões arqueológicas e históricas associadas a locais, e ainda as associadas ao folclore, técnicas locais (cerâmica, arquitetura, etc) sentido de lugar, e mesmo o uso de particularidades e/ou fenómenos geológicos em prol da imagem de uma região ou localidade (Brilha, 2005:36). 

>Valor estético – Também aqui estamos na presença de um valor subjetivo (uma paisagem pode ser mais ou menos bela consoante os indivíduos que a percecionem), não deixa contudo de se situar sob uma perspetiva antropocêntrica e economicamente relevante (pensemos por exemplo numa atividade que encontra no valor estético parte da sua sustentação: o turismo). 

>Valor económicoTrata-se aqui de valores estritamente objetivos e Antropogénicos. A expressão de Brilha (2005:37) define-os e enquadra-os, penso que da forma mais breve mas simultâneamente mais completa: “a civilização humana sempre dependeu da utilização de materiais geológicos”. O valor económico da geodiversidade revê-se assim num grande número de áreas, como: A energia; os minerais; os materiais geológicos, os fósseis, etc., estando presentes nas vertentes industrial, comercial e financeira da economia. 

>Valor funcional Conceito introduzido por Gray e concebível segundo duas perspetivas: 

    -In situ: referindo-se à “geodiversidade que se mantém no local original, ao contrário do valor          económico da geodiversidade depois de explorada”  (Brilha, 2005:39). 

   -Enquanto base da “sustentação dos sistemas físicos e ecológicos na superfície terrestre” (Brilha,2005:39).

O valor funcional da geodiversidade pode assim rever-se na construção e suporte de infraestruturas na saúde, na química da água, no controle da poluição, nas funções do ecossistema, etc. 

>Valor cientifico e educativo – é a geodiversidade que possibilita o estudo e investigação cientifica no domínio das Ciências da Terra (através do estudo de amostras que representam a geodiversidade). Este estudo tem evidentes repercussões na maneira como o homem utiliza e se relaciona com essa geodiversidade, seja, por exemplo na utilização dos espaços avaliando potenciais riscos geológicos ou no controle e monitorização das agressões antropogénicas ao ambiente. Na vertente educativa e formativa o valor da geodiversidade revê-se na impossibilidade de conceber uma educação (e/ou formação relacionada) em Ciências da Terra sem o contato direto com a geodiversidade (pelo menos com exemplos concretos desta).


Bibliografia: 

-Brilha, J. (2005) Património Geológico e Geoconservação – A Conservação da Natureza na sua Vertente Geológica. Palimage. Imagem Palavra. Braga. 

-Gray. M. (2004) Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. John Wiley and Sons, Chichester, England

segunda-feira, 13 de maio de 2013

GEODIVERSIDADE








CONCEITO E VALORES – Parte I: Conceitos


Foi a Terra, com os ambientes geológicos que têm caraterizado a sua longa existência, que deu berço à Vida …

Estas palavras do Professor Galopim de Carvalho, insertas no seu prefácio ao livro de José Brilha “Património Geológico e Geoconservação – A conservação da natureza na sua vertente geológica” , alertam-nos para a importância e papel da vertente geológica na existência da vida à superfície do nosso planeta. Com efeito, a vida e sua diversidade existem como uma resultante direta do contexto e diversidade geológicos, ou, como refere Brilha (2005:15), a geodiversidade constitui o suporte essencial da biodiversidade.

   O conceito de Geodiversidade, contrariamente ao da Biodiversidade, não tem conseguido o mesmo reconhecimento e penetração na sociedade (Brilha,2005:17), fazendo com que ainda seja pouco integrante do domínio dos saberes leigos, e refletindo, no fundo, o discurso dos valores das coisas vivas e não-vivas.
No campo de uma definição concetual para Geodiveridade referiremos, adotando, a  apresentada por Brilha (2005:17), a qual segue a da Royal Society for Nature Conservation (UK):

 A Geodiversidade consiste na variedade de ambientes geológicos, fenómenos e processos ativos que dão origem a paisagens, rochas, minerais fósseis, solos e outros depósitos superficiais que dão o suporte para a vida na Terra.  

Por outro lado, aqui se apresenta a de Murray Gray (Gray,2004:8) cuja formulação diferente não deixa contudo de ter significância semelhante à anterior:

Geodiversity: the natural range (diversity) of geological (rocks, minerals, fossils), geomorphological (land form, processes) and soil features. It includes their assemblages, relationships, properties, interpretations and systems.

   O conceito tem sido objeto de várias formulações ao longo da sua ainda breve existência, segundo Brilha (2005:17) o termo Geodiversidade terá surgido em 1993 no decurso da Conferência de Malvern sobre Conservação Geológica e Paisagistica, refletindo os vários enfoques e abordagens. Murray Gray (2004), sintetiza esses diferentes momentos e formulações num esquema que reproduzimos:
  

Data

Autor

Base concetual

Anos 80
Kevin Kiernan
“Landform species, Landform communities”
1993
Sharples
“Cover the diversity of earth features and systems”
1994
Wiedenbein
“Relation to geotope conservation”
1994
Erikstad, Harley, Todorov
“Geological diversity but not the shortened form”
1994 / 1997
Joyce
“The possible use of the term geodiversity was suggested by some participants... but failed to receive significant support”
1996 / 1997 / 2002
Dixon, Eberhard,
Sharples and Australian Heritage Commission
“The range or diversity of geological (bedrock), geomorphological (landform) and soil features, assemblages, systems and processes”
1996 / 2003
Nordic Council of Ministers / Johansson
“The complex variation of bedrock, unconsolidated deposits, landforms and processes that form landscapes ...... Geodiversity can be described as the diversity of geological and geomorphological phenomena in a defined area”
1997 / 2000
Gray
“perhaps one day we will see (...) a Geodiversity Action Plan for the UK to rank alongside its biological counterpart”
1998
Burnettet et al / Nichols et al .
“geomorphological heterogeneity”, suggesting “geodiversity”
2001
Stanley
“It is the link between people, landscapes and culture; it is the variety of geological environments, phenomena and processes that make those landscapes, rocks, minerals, fossils and soils which provide the framework for life on Earth”
2001
Erikstad & Stabbetorp
“Used the term in relation to natural areas and environmental impact assessment”
2001
Gordon & Leys
“The present book aims to be a coherent, wide-ranging and international discussion of the principles of geodiversity and practices of geoconservation, and is the first such treatment”
2002
Prosser
“Geoconservation is “Earth heritage conservation”, but this is longer, duplicates the shorter term and has an ambiguous meaning since many people see it as including biological components of the Earth”



Bibliografia

-Brilha, José (2005) Património Geológico e Geoconservação - A conservação da natureza na sua vertente geológica, Viseu, Palimage Editores
-Gray, Murray (2004) Geodiversity, valuing and conserving abiotic nature, Chichester-England, John Wiley & Sons Ltd,



terça-feira, 30 de abril de 2013

Biodiversidade: Conservação ou recomposição ?


Quando a ciência nos conduz à possibilidade de recompor a existência de espécies extintas
coloca-se a questão de se saber se vale mesmo a pena, no fundo a biodiversidade representa algo mais do que uma espécie em concreto, algo que não se recompõe pelo tornar à vida de uma das suas partes. Veja-se o artigo da National Geographic de que aqui se deixa a referência




Clonagem de espécies - National Gegraphic Magazine, Abril 2013, pag 2
 
Texto de Carl Zimmer Fotografias de Robb Kendrick 
A ressurreição de uma espécie extinta já é viável. Mas será boa ideia?
No dia 30 de Julho de 2003, cientistas espanhóis 
e franceses trouxeram de volta um animal extinto, ainda que apenas para vê-lo voltar a extinguir-se.O animal por eles ressurrecto era uma espécie de cabra-montesa conhecida como bucardo, ou cabra dos Pirenéus. O bucardo (Capra pyrenaica pyrenaica) era uma criatura bela e grande, que chegava a pesar 100 quilogramas e que apresentava longos chifres graciosamente encurvados. Durante milhares de anos, habitou as terras altas dos Pirenéus, a cordilheira montanhosa que separa a França de Espanha, por onde se deslocava, suportando invernos inclementes.









domingo, 21 de abril de 2013

Estratégias de conservação – Parte 1


 Tentámos, no breve e sintético trajeto pela problemática da biodiversidade que neste blog executámos, traçar um quadro a propósito das vertentes propostas, o qual teve como metodologia do discurso e da exposição não o repetir exaustivo da teoria nem a estrita colagem a uma lógica formal e rigida. Priveligiámos assim, e em função do meio e veiculo para que fomos desafiados, privilegiar aqui e ali o exercicio (forçosamente sintético) da reflexão sobre alguns dos aspetos que nos parecem relevar neste âmbito temático, e, sobre os quais também nos pareceu ser interessante iluminar de forma mais intensa. Assim, e por exemplo, no anterior tema lançámos pontes para a temática conservação da biodiversidade relevando a complexidade que lhe está subjacente, fazendo apelo do caso e significado da floresta, no âmbito da promoção das ameças à biodiversidade (segundo o conceito de promotores de alterações à biodiversidade de Proença et al (2009)). Este exercicio, que assumimos, tem sido suportado em algumas noções, que passo a indicar: 

 -O conceito de biodiversidade não é ainda hoje percebido uniformemente, como por exemplo refere Araújo (1998, p. 2); 

 -O valor da biodiversidade não se limita ao valor dos serviços ecológicos que providencia, e à sua importância nos serviços ecossistémicos, dos quais (também) depende o homem, não devendo, por isso, ser analisado numa perspetiva exclusivamente antropocêntica (nomeadamente na sua dimensão económica). A biodiversidade é um conjunto de valores, conforme escreve Araújo (1998) “ ao conceito de biodiversidade não está associado um valor, mas sim um conjunto diversificado de valores com carcteristicas diferentes, por vezes, contraditórias”; 

-As ameaças relevantes à biodiversidade, na atualidade, têm o seu foro na ação antrópica direta ou indireta, em função disto, e, para que deixem de o ser apenas parece restar uma solução – a alteração dos comportamentos do homem na sua relação com a natureza. 

Serve esta breve introdução para, numa primeira abordagem ao tema, procurarmos situar, no esteio da nossa reflexão continuada, as estratégias de conservação. Com efeito, e antes de procedermos a uma exposição teóricamente mais referenciada e sustentada, que aqui cumpre elaborar no sentido de expor o que a nivel mundial, regional e local se apresenta como realidade, queremos relevar o fato de as estratégias de conservação apontarem as suas vias de implementação através da modificação dos comportamentos (eficaz sobretudo quando vertida em documentos legais como por exemplo entre nós a Lei de Bases do Ambiente que adota, potencia e promove a proteção da biodiversidade ao reconhecer o largo espetro da sua importância e valores – cfr o artigo 4º, alinea m), elas são o reflexo da necessidade de limitação da ação antrópica no escopo da atenuação ou erradicação das ameaças. 
O estado de preocupante delapidação do património mundial genético e de espécies de vida a que se assiste, com tradução dramática na afirmação contida no Millennium Ecosystem Assessment (MEA, 2005, p.3): “Over the past few hundred years, humans have increased species extinction rates by as much as 1,000 times background rates that were typical over Earth’s history.”, ameaça não só a vida do homem mas também o seu hodierno modo de vida. Não podemos ignorar que é também pela via sócio económica (e portanto também pela politica) que a problemática da perda de biodiversidade tem sido crescentemente alvo de atenção, preocupação e ação. Parece-me não ser desprovido de sentido que a problemática da perda de biodiversidade venha sendo frequente introduzida através, e no âmbito, do Desenvolvimento Sustentável… De qualquer das formas, as estratégias e políticas de conservação são os instrumentos possíveis para, no atual cenário global, se tentar parar o fenómeno da perda de biodiversidade, malgrado muitas das metas e resultados a que se propõem teimem em deslizar, inquietantemente, para um futuro cada vez mais distante, encurtando o tempo disponível para a solução.


 -Porque são necessárias estratégias de conservação? Veja o gráfico
  
   

  Espécies mais numerosas (gráfico à esquerda), à direita as ameaçadas e extintas – fonte: CBD (Convention on Biological Diversity - www.cbd.int) 

 Continua na parte 2 … 

Bibliografia 

-Araújo M., (1998),” Avaliação da biodiversidade em conservação”, Silva Lusitana, vol.6,nº1.pp. 19-40. 
-Proença, V. et al. (2009), Biodiversidade in "Ecossistemas e Bem-estar humano - Avaliação para Portugal do Millennium EcosystemAssessment" Escolar Editora 
-Millennium Ecosystem Assessment (MEA) (2005), “Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis, Washington”, D.C., World Resources Institute.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

IF A TREE FALLS

aidnature.org from aidnature.org on Vimeo.

Uma mensagem sobre a conservação da biodiversidade . protagonista: A floresta

Conserve Wildlife, Conserve Biodiversity. from wrs_education on Vimeo.

Ameaças à biodversidade – um trajeto que termina na floresta 


 A perda de biodiversidade é um fato incontornável dos nossos dias. Segundo os dados disponibilizados por CDB (2010) e referenciados a partir de 2009, atingimos um ponto em que, a partir de um universo de 47.677 espécies consideradas, 36 % delas se encontram assinaladas como ameaçadas de extinção, destacando-se o dado expressivo traduzido por de entre as 12.055 espécies de plantas avaliadas 70% se encontrarem nessa situação. 

 Podendo o conceito de biodiversidade ser tão abrangente, que compreende no seu sentido mais lato toda a biosfera, conforme se pode extrair de MA(2005), é facilmente admissível que no seio de uma tão grande complexidade e interdependência sejam múltiplos os fenómenos, e suas origens, que lhe determinem alterações (quer sejam de quantidade ou variedade) . É no entanto, no campo da ação humana que se situam as hodiernas ameaças. Embora na consciência deste fato, não  visamos   afirmar a alteração da biodiversidade, nomeadamente a sua redução, como motivada exclusivamente por causas antropogénicas. Ao longo da história do nosso planeta encontramos evidências de alterações neste domínio provocadas por outro tipo de causas, nomeada e principalmente as naturais (evolução das espécies, cataclismos naturais, alterações climáticas…), mas delas não nos ocuparemos neste espaço e agora. 
 Assim, assinalaremos como ameaças mais relevantes à biodiversidade nos nossos dias as Alterações Climáticas, as alterações dos habitats e ecossistemas, a poluição, a sobre exploração dos recursos naturais e o ordenamento do uso dos solos (a que se pode associar o fenómeno da dominação por espécies invasoras). As ameaças à Biodiversidade são no fundo alterações (negativas) do estado da biodiversidade, radicadas na ação antrópica contida naquilo a que Proença et al (2009) denomina como os promotores de alterações à biodiversidade, e que, podemos definir e sintetizar (de forma muito liberal e lata) como tipologias de atuação humana causadoras do fenómeno (Como medir a Biodiversidade ? Segundo Proença et al (2009): O modo mais comum de medir biodiversidade assenta na contabilização da variedade de tipos diferentes, seja ao nível genético, de espécies, ou de outro nível taxonómico). 

 Referindo o caso de Portugal aquele autor indica a floresta como sendo um desses promotores, no que à primeira vista poderia parecer um contra senso sobretudo se fizermos apelo àquilo que o conhecimento científico nos diz sobre o papel e a relevância da floresta em variadíssimos contextos incluindo o da biodiversidade, e que, por exemplo nos é patente nas palavras de Klenner et al (2009): “Inaddition to biodiversity conservation, forest ecosystems supply a wide range of commodities sought by an expanding human population, including structural materials, fuels, and medicines, along with a wide range of critical ecosystem services including nutrient cycling, climate regulation, maintaining water balances and carbon sequestration.”
 Convém , este exemplo, à chamada de atenção que, penso, se deve fazer a propósito da necessidade de caraterização fina e precisa das ameaças, por forma a convergir numa abordagem científica, com as valias futuras que em termos de problematização se podem antecipar (outros exemplos seriam passíveis de apresentação como por exemplo o do fogo, também citado pelo autor e abordado pelas duas vertentes). 
 Para que se esclareça a perspetiva do autor (Proença et al, 2009) direi que ela se refere à floresta industrial, a qual recorre a espécies de elevada rendibilidade e produção (como o eucalipto, a propósito do qual, e da sua capacidade de preservação da biodiversidade comparativamente à floresta natural escreve Cancela et al (2012) nas suas conclusões: we favor protection and,where feasible, restoration of native forests over managing eucalypt plantations for biodiversity, in order to preserve the rich and distinct community that native forests harbor ) mas que pela natureza monocultural intensiva do seu plantio e, ainda pela natureza exótica espécies introduzidas são criadas importantes ruturas com os ecossistemas pré-existentes, implicando a diminuição do número, variedade e quantidades das espécies (sendo tão mais relevante nos casos em que se substituiu floresta autóctone por este tipo de monocultura florestal intensiva - sobre a importância da floresta autóctone na biodiversidade, numa novel abordagem de gestão florestal [Back to the Nature], indico o trabalho de Gamborg e Larsen (2003), ou na perspetiva da gestão florestal sustentável em Sample (2005) ). 

 Com este exemplo da floresta face à biodiversidade em 2 vertentes distintas se lançam as pontes para a temática que se seguirá: a da conservação da biodiversidade e das estratégias para atingir esse objetivo. E, são lançadas na percepção de um contexto de complexidade da problemática que requer não só uma sólida fundamentação teórica como ainda um aturado conhecimento dos mecanismos inerentes aos ecossistemas que condicionam os habitats em que as várias espécies coexistem, bem como das suas cambiantes, muitas vezes subtis, que podem alterar de forma dramática os equilíbrios necessários à existência. 

 Bibliografia:
Cancela M.C, Rubido-Bará M., Van Etten E.J.B. (2012), “Do eucalypt plantations provide habitat for native forest biodiversity?”, 
Forest Ecology and Management, 270, pp 153-162 

Gamborg C.,Larsen J.B. (2003), ”Back to nature’—a sustainable future for forestry?”, Forest Ecology and Management 179. pp 559–571 

Millennium Ecosystem Assessment (MA) (2005), “Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis, Washington”, D.C., World Resources Institute. 

 Proença, V. et al. (2009), Biodiversidade in "Ecossistemas e Bem-estar humano - Avaliação para Portugal do Millennium Ecosystem Assessment" Escolar Editora 

Klenner W., Arsenault ., Brockerhoff E.G., Vyse A., (2009)," Biodiversity in forest ecosystems and landscapes: A conference to discuss future directions in biodiversity management for sustainable forestry", Forest Ecology and Management 258S, S1–S4 

Sample V.A. (2008), “Sustainable Forestry and Biodiversity Conservation: Toward a New Consensus” Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) (2010) “Panorama da Biodiversidade Global 3”



domingo, 7 de abril de 2013


Biodiversidade, valores e valorização
A complexa interligação e interdependência da vida no nosso planeta releva o papel de cada um dos elementos e formas que a compõem.
Como procurei iniciar no post anterior intitulado “A importância da Biodiversidade“ da sua existência e conservação depende em muito a presença humana na face do planeta. Os valores que subjazem à sua relação com o homem tem tendencialmente vindo a aglutinar-se em torno de uma perspetiva que se destaca pela proeminência de uma visão economicista, isto é assente, numa construção fundada na valorização económica dos serviços que a biodiversidade viabiliza nos vários ecossistemas. Tal podemos constatar através da leitura do que consta no Millennium Ecosystem Assessment (MEA,2005). Do meu ponto de vista, é irónico que, na atualidade, a defesa da Biodiversidade se faça com apelo à sua valorização económica, lançando no fundo mão dos valores que também estão na origem das ameaças e problemática da sua conservação ou, mesmo, subsistência.

Nesta breve reflexão, que apenas se pretende como ponto de partida para um mais esclarecido, completo e aprofundado olhar sobre os valores associados à Biodiversidade, gostariamos, desde logo, retomar o seu desenvolvimento através da dupla vertente à luz da qual a Biodiversidade vem sendo perspetivada e que se articula, por um lado, com a sua inegável (e já referida) importância económica revelada na figura e forma dos serviços (serviços ambientais, ecológicos, e outros geradores de recursos naturais diretamente utilizados pelo homem e essenciais à vida das suas sociedades – providenciando alimentos, medicamentos,etc), e, por outro lado, com a fundamentação ética que repousa no âmbito mais geral da relação homem/natureza, particularmente no particular confronto entre as visões eco e antropocêntricas.
A Biodiversidade é, assim, hoje encarada como acima exposto, e em Christie et al (2006) podemos ver confirmado, sobretudo no âmbito da valorização económica (tendo, inclusivé, reflexos na prática conservacionista). Este fato vem implicando uma atitude marcadamente antropocêntrica que, ao invés do apelo à valorização intrinseca da natureza (e em particular de todos os seres viventes) parece estar constantemente e a cada passo, em função do que concebe como denvolvimento económico, a enunciar a pergunta; “Ainda precisamos da natureza” ?   
Bibliografia:
-Millennium Ecosystem Assessment (MEA) 2005, In Ecosystems and Human Well-being Sysnthesys. World Resources Institute, pp.1-41
-Christie M.,Hanley N.,Warren J.,Murphy K.,Wright R.,Hyde T. 2006, Valuing the diversity of biodiversity, Ecological Economics, 58, pp. 304-317  

Recursos:
Video "Learning to protect biodiversity




sexta-feira, 22 de março de 2013

A importância da Biodiversidade



Entramos neste espaço de reflexão e partilha com a temática da biodiversidade. Faço-o lançando , e antes de um aprofundamento subsequente, a questão da relevância, ou da importância, da Biodiversidade. Será que para além das preocupações éticas , que parece já terem penetrado e integrado o âmbito dos saberes leigos, a sua importância se deve procurar mais incisivamente no domínio da  manutenção dos Ecossistemas e da dependência da humanidade dos serviços dos ecossistemas, para a sua sobrevivência e bem-estar ?
A meu ver são ambos componentes essenciais da relevância que hoje é atribuída à Biodiversidade. De facto, e no decurso do conjunto de fenómenos que revelam as Alterações Climáticas (AC) a que a ação antropogénica tem junto um contributo potenciador, relevam (em paralelo com um certo número de questões éticas inserida na problemática da relação homem-natureza) a articulação entre os serviços dos ecossistemas e a mitigação das AC, com a sua dependência sustentada na Biodiversidade. Assim e neste entendimento se têm juntado mais razões à necessidade da sua defesa e promoção.
A Biodiversidade é  vital à sobrevivência e bem-estar da humanidade, mais que não seja esta razão marcadamente antopocêntrica serve para justificar o seu incontornável papel e relevância.

domingo, 17 de março de 2013