A geodiversidade, assim como a biodiversidade, é de grande importância para os ecossistemas. No entanto muita da importância que hoje se lhe atribui passa pelos recursos e serviços que proporciona ao homem. Esta vertente da valorização antopocêntrica, muito assente em considerações economicistas, conduz a uma menorização do seu valor intrínseco (tal como sucede com a biodiversidade). Os valores que se têm evidenciado na geodiversidade refletem o que se acaba de dizer e reforçam, nessa perspetiva a necessidade da sua proteção.
Mas que valores são esses? A maioria dos autores utiliza para esse fim a proposta de Gray (2004), que a meu ver tem a virtualidade de inscrever o valor intrínseco à cabeça.
Propostas de Gray sobre os valores da Geodiversidade:
>Valor intrínseco - O mais subjetivo e difícil uma vez que se atribui independente da utilidade para o homem. Ele está no âmago das visões não antropocêntricas da natureza. No caso, e como diz Brilha (2005:34) “ A Geodiversidade terá um valor intrínseco independentemente da sua maior ou menor valia para o Homem”.
>Valor cultural – Constituem-se como valores, a identificação e interdependência entre o meio físico e o desenvolvimento social, cultural e/ou religioso do Homem (com reconhecimento deste), mas também as questões arqueológicas e históricas associadas a locais, e ainda as associadas ao folclore, técnicas locais (cerâmica, arquitetura, etc) sentido de lugar, e mesmo o uso de particularidades e/ou fenómenos geológicos em prol da imagem de uma região ou localidade (Brilha, 2005:36).
>Valor estético – Também aqui estamos na presença de um valor subjetivo (uma paisagem pode ser mais ou menos bela consoante os indivíduos que a percecionem), não deixa contudo de se situar sob uma perspetiva antropocêntrica e economicamente relevante (pensemos por exemplo numa atividade que encontra no valor estético parte da sua sustentação: o turismo).
>Valor económico – Trata-se aqui de valores estritamente objetivos e Antropogénicos. A expressão de Brilha (2005:37) define-os e enquadra-os, penso que da forma mais breve mas simultâneamente mais completa: “a civilização humana sempre dependeu da utilização de materiais geológicos”. O valor económico da geodiversidade revê-se assim num grande número de áreas, como: A energia; os minerais; os materiais geológicos, os fósseis, etc., estando presentes nas vertentes industrial, comercial e financeira da economia.
>Valor funcional – Conceito introduzido por Gray e concebível segundo duas perspetivas:
-In situ: referindo-se à “geodiversidade que se mantém no local original, ao contrário do valor económico da geodiversidade depois de explorada” (Brilha, 2005:39).
-Enquanto base da “sustentação dos sistemas físicos e ecológicos na superfície terrestre” (Brilha,2005:39).
O valor funcional da geodiversidade pode assim rever-se na construção e suporte de infraestruturas na saúde, na química da água, no controle da poluição, nas funções do ecossistema, etc.
>Valor cientifico e educativo – é a geodiversidade que possibilita o estudo e investigação cientifica no domínio das Ciências da Terra (através do estudo de amostras que representam a geodiversidade). Este estudo tem evidentes repercussões na maneira como o homem utiliza e se relaciona com essa geodiversidade, seja, por exemplo na utilização dos espaços avaliando potenciais riscos geológicos ou no controle e monitorização das agressões antropogénicas ao ambiente. Na vertente educativa e formativa o valor da geodiversidade revê-se na impossibilidade de conceber uma educação (e/ou formação relacionada) em Ciências da Terra sem o contato direto com a geodiversidade (pelo menos com exemplos concretos desta).
Bibliografia:
-Brilha, J. (2005) Património Geológico e Geoconservação – A Conservação da Natureza na sua Vertente Geológica. Palimage. Imagem Palavra. Braga.
-Gray. M. (2004) Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. John Wiley and Sons, Chichester, England
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