Biodiversidade, valores e valorização
A complexa
interligação e interdependência da vida no nosso planeta releva o papel de cada
um dos elementos e formas que a compõem.
Como procurei iniciar no post
anterior intitulado “A importância da Biodiversidade“ da sua existência e
conservação depende em muito a presença humana na face do planeta. Os valores
que subjazem à sua relação com o homem tem tendencialmente vindo a aglutinar-se
em torno de uma perspetiva que se destaca pela proeminência de uma visão
economicista, isto é assente, numa construção fundada na valorização económica dos
serviços que a biodiversidade viabiliza nos vários ecossistemas. Tal podemos
constatar através da leitura do que consta no Millennium Ecosystem Assessment (MEA,2005). Do meu ponto de vista,
é irónico que, na atualidade, a defesa da Biodiversidade se faça com apelo à
sua valorização económica, lançando no fundo mão dos valores que também estão
na origem das ameaças e problemática da sua conservação ou, mesmo, subsistência.


Nesta breve reflexão, que apenas se
pretende como ponto de partida para um mais esclarecido, completo e aprofundado
olhar sobre os valores associados à Biodiversidade, gostariamos, desde logo,
retomar o seu desenvolvimento através da dupla vertente à luz da qual a
Biodiversidade vem sendo perspetivada e que se articula, por um lado, com a sua
inegável (e já referida) importância económica revelada na figura e forma dos
serviços (serviços ambientais, ecológicos, e outros geradores de recursos
naturais diretamente utilizados pelo homem e essenciais à vida das suas
sociedades – providenciando alimentos, medicamentos,etc), e, por outro lado,
com a fundamentação ética que repousa no âmbito mais geral da relação
homem/natureza, particularmente no particular confronto entre as visões eco e
antropocêntricas.
A Biodiversidade é, assim, hoje
encarada como acima exposto, e em Christie et al (2006) podemos ver confirmado,
sobretudo no âmbito da valorização económica (tendo, inclusivé, reflexos na
prática conservacionista). Este fato vem implicando uma atitude marcadamente
antropocêntrica que, ao invés do apelo à valorização intrinseca da natureza (e em
particular de todos os seres viventes) parece estar constantemente e a cada
passo, em função do que concebe como denvolvimento económico, a enunciar a
pergunta; “Ainda precisamos da natureza” ?
Bibliografia:
-Millennium Ecosystem
Assessment (MEA) 2005, In Ecosystems and
Human Well-being Sysnthesys. World Resources Institute, pp.1-41
-Christie M.,Hanley N.,Warren J.,Murphy K.,Wright R.,Hyde T.
2006, Valuing the diversity of
biodiversity, Ecological Economics, 58, pp. 304-317
Recursos:
Video "Learning to protect biodiversity
Recursos:
Video "Learning to protect biodiversity

A pergunta final do teu post é bastante complexa. O valor intrínseco da Natureza é sempre referido, mas por trás da maioria das políticas ambientais de conservação da Biodiversidade, o seu valor intrínseco é substituído quase na íntegra pelo seu valor económico, que associas (e bem, no meu entender), a uma dimensão puramente antropocêntrica. Atualmente, por mais que tentemos ainda não possuímos tecnologia que substitua o valor intrínseco de uma espécie, mas temos sempre um valor associado à mesma, nem que seja o custo da sua conservação.
ResponderEliminarAbraço,
João