Ameaças à biodversidade – um trajeto que termina na floresta
A perda de biodiversidade é um fato incontornável dos nossos dias. Segundo os dados disponibilizados por CDB (2010) e referenciados a partir de 2009, atingimos um ponto em que, a partir de um universo de 47.677 espécies consideradas, 36 % delas se encontram assinaladas como ameaçadas de extinção, destacando-se o dado expressivo traduzido por de entre as 12.055 espécies de plantas avaliadas 70% se encontrarem nessa situação.
Podendo o conceito de biodiversidade ser tão abrangente, que compreende no seu sentido mais lato toda a biosfera, conforme se pode extrair de MA(2005), é facilmente admissível que no seio de uma tão grande complexidade e interdependência sejam múltiplos os fenómenos, e suas origens, que lhe determinem alterações (quer sejam de quantidade ou variedade) . É no entanto, no campo da ação humana que se situam as hodiernas ameaças. Embora na consciência deste fato, não visamos afirmar a alteração da biodiversidade, nomeadamente a sua redução, como motivada exclusivamente por causas antropogénicas. Ao longo da história do nosso planeta encontramos evidências de alterações neste domínio provocadas por outro tipo de causas, nomeada e principalmente as naturais (evolução das espécies, cataclismos naturais, alterações climáticas…), mas delas não nos ocuparemos neste espaço e agora.
Assim, assinalaremos como ameaças mais relevantes à biodiversidade nos nossos dias as Alterações Climáticas, as alterações dos habitats e ecossistemas, a poluição, a sobre exploração dos recursos naturais e o ordenamento do uso dos solos (a que se pode associar o fenómeno da dominação por espécies invasoras).
As ameaças à Biodiversidade são no fundo alterações (negativas) do estado da biodiversidade, radicadas na ação antrópica contida naquilo a que Proença et al (2009) denomina como os promotores de alterações à biodiversidade, e que, podemos definir e sintetizar (de forma muito liberal e lata) como tipologias de atuação humana causadoras do fenómeno (Como medir a Biodiversidade ? Segundo Proença et al (2009): O modo mais comum de medir biodiversidade assenta na contabilização da variedade de tipos diferentes, seja ao nível genético, de espécies, ou de outro nível taxonómico).
Referindo o caso de Portugal aquele autor indica a floresta como sendo um desses promotores, no que à primeira vista poderia parecer um contra senso sobretudo se fizermos apelo àquilo que o conhecimento científico nos diz sobre o papel e a relevância da floresta em variadíssimos contextos incluindo o da biodiversidade, e que, por exemplo nos é patente nas palavras de Klenner et al (2009): “Inaddition to biodiversity conservation, forest ecosystems supply a wide range of commodities sought by an expanding human population, including structural materials, fuels, and medicines, along with a wide range of critical ecosystem services including nutrient cycling, climate regulation, maintaining water balances and carbon sequestration.”.
Convém , este exemplo, à chamada de atenção que, penso, se deve fazer a propósito da necessidade de caraterização fina e precisa das ameaças, por forma a convergir numa abordagem científica, com as valias futuras que em termos de problematização se podem antecipar (outros exemplos seriam passíveis de apresentação como por exemplo o do fogo, também citado pelo autor e abordado pelas duas vertentes).
Para que se esclareça a perspetiva do autor (Proença et al, 2009) direi que ela se refere à floresta industrial, a qual recorre a espécies de elevada rendibilidade e produção (como o eucalipto, a propósito do qual, e da sua capacidade de preservação da biodiversidade comparativamente à floresta natural escreve Cancela et al (2012) nas suas conclusões: we favor protection and,where feasible, restoration of native forests over managing eucalypt plantations for biodiversity, in order to preserve the rich and distinct community that native forests harbor ) mas que pela natureza monocultural intensiva do seu plantio e, ainda pela natureza exótica espécies introduzidas são criadas importantes ruturas com os ecossistemas pré-existentes, implicando a diminuição do número, variedade e quantidades das espécies (sendo tão mais relevante nos casos em que se substituiu floresta autóctone por este tipo de monocultura florestal intensiva - sobre a importância da floresta autóctone na biodiversidade, numa novel abordagem de gestão florestal [Back to the Nature], indico o trabalho de Gamborg e Larsen (2003), ou na perspetiva da gestão florestal sustentável em Sample (2005) ).
Com este exemplo da floresta face à biodiversidade em 2 vertentes distintas se lançam as pontes para a temática que se seguirá: a da conservação da biodiversidade e das estratégias para atingir esse objetivo. E, são lançadas na percepção de um contexto de complexidade da problemática que requer não só uma sólida fundamentação teórica como ainda um aturado conhecimento dos mecanismos inerentes aos ecossistemas que condicionam os habitats em que as várias espécies coexistem, bem como das suas cambiantes, muitas vezes subtis, que podem alterar de forma dramática os equilíbrios necessários à existência.
Referindo o caso de Portugal aquele autor indica a floresta como sendo um desses promotores, no que à primeira vista poderia parecer um contra senso sobretudo se fizermos apelo àquilo que o conhecimento científico nos diz sobre o papel e a relevância da floresta em variadíssimos contextos incluindo o da biodiversidade, e que, por exemplo nos é patente nas palavras de Klenner et al (2009): “Inaddition to biodiversity conservation, forest ecosystems supply a wide range of commodities sought by an expanding human population, including structural materials, fuels, and medicines, along with a wide range of critical ecosystem services including nutrient cycling, climate regulation, maintaining water balances and carbon sequestration.”. Convém , este exemplo, à chamada de atenção que, penso, se deve fazer a propósito da necessidade de caraterização fina e precisa das ameaças, por forma a convergir numa abordagem científica, com as valias futuras que em termos de problematização se podem antecipar (outros exemplos seriam passíveis de apresentação como por exemplo o do fogo, também citado pelo autor e abordado pelas duas vertentes).
Para que se esclareça a perspetiva do autor (Proença et al, 2009) direi que ela se refere à floresta industrial, a qual recorre a espécies de elevada rendibilidade e produção (como o eucalipto, a propósito do qual, e da sua capacidade de preservação da biodiversidade comparativamente à floresta natural escreve Cancela et al (2012) nas suas conclusões: we favor protection and,where feasible, restoration of native forests over managing eucalypt plantations for biodiversity, in order to preserve the rich and distinct community that native forests harbor ) mas que pela natureza monocultural intensiva do seu plantio e, ainda pela natureza exótica espécies introduzidas são criadas importantes ruturas com os ecossistemas pré-existentes, implicando a diminuição do número, variedade e quantidades das espécies (sendo tão mais relevante nos casos em que se substituiu floresta autóctone por este tipo de monocultura florestal intensiva - sobre a importância da floresta autóctone na biodiversidade, numa novel abordagem de gestão florestal [Back to the Nature], indico o trabalho de Gamborg e Larsen (2003), ou na perspetiva da gestão florestal sustentável em Sample (2005) ).
Com este exemplo da floresta face à biodiversidade em 2 vertentes distintas se lançam as pontes para a temática que se seguirá: a da conservação da biodiversidade e das estratégias para atingir esse objetivo. E, são lançadas na percepção de um contexto de complexidade da problemática que requer não só uma sólida fundamentação teórica como ainda um aturado conhecimento dos mecanismos inerentes aos ecossistemas que condicionam os habitats em que as várias espécies coexistem, bem como das suas cambiantes, muitas vezes subtis, que podem alterar de forma dramática os equilíbrios necessários à existência.
Bibliografia:
Cancela M.C, Rubido-Bará M., Van Etten E.J.B. (2012), “Do eucalypt plantations provide habitat for native forest biodiversity?”,
Forest Ecology and Management, 270, pp 153-162
Gamborg C.,Larsen J.B. (2003), ”Back to nature’—a sustainable future for forestry?”, Forest Ecology and Management 179. pp 559–571
Millennium Ecosystem Assessment (MA) (2005), “Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis, Washington”, D.C., World Resources Institute.
Proença, V. et al. (2009), Biodiversidade in "Ecossistemas e Bem-estar humano - Avaliação para Portugal do Millennium Ecosystem Assessment" Escolar Editora
Klenner W., Arsenault ., Brockerhoff E.G., Vyse A., (2009)," Biodiversity in forest ecosystems and landscapes: A conference to discuss future directions in biodiversity management for sustainable forestry", Forest Ecology and Management 258S, S1–S4
Sample V.A. (2008), “Sustainable Forestry and Biodiversity Conservation: Toward a New Consensus”
Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) (2010) “Panorama da Biodiversidade Global 3”
Boa tarde Vítor!
ResponderEliminarAntes de mais obrigado por mais um belo artigo.Parabéns.
Acabei agora de comentar um post da Adélia, sobre as ameaças à biodiversidade, e vejo que neste posso seguir a mesma linha, relacionado uma ameça direta à biodiversidade: as plantas exóticas com potencial invasor.
NO teu post referes-te ao confronto entre a floresta exótica e a indígena, sendo que a primeira pode constituir uma séria ameaça à segunda, com base nas políticas de reflorestação utilizadas.
A introdução das espécies invasoras pelo homem para minimizar, a curto prazo, os efeitos da erosão dos solos constitui um problema, tal como sucedeu na implementação do programa de reflorestação na Ilha da Madeira. No entanto, e como referido no estudo de Rossman (2001), é necessário rever e ponderar as políticas florestais no que diz respeito à introdução de espécies não indígenas, e ao seu potencial invasor, para evitar danos imensuráveis como os que ocorreram no Havai, em que a diminuição da biodiversidade provocada por plantas invasoras foi consideravelmente superior à destruição causada pela atividade humana. Este aspeto foi também constatado no estudo de Silva & Smith (2004), relativo à caracterização da flora não indígena dos Açores.
A Ilha da Madeira sofreu séculos de exploração silvícola e pastoreio descontrolado nas zonas montanhosas, tendo sido implementado um processo de reflorestação, para travar a erosão dos solos e as suas consequências, assim como para obter mais recursos florestais. Foram introduzidas inúmeras espécies não nativas com predomínio de coníferas resinosas, espécies capazes de alterar as condições edafoclimáticas, competindo com a vegetação herbácea nativa através de alelopatia. A estes factos acresce a vulnerabilidade das espécies resinosas a incêndios, já que impermeabilizam o solo impedindo a infiltração de águas nos subsolos freáticos, eliminando as herbáceas e desequilibrando os caudais das nascentes devido às fortes necessidades que têm de água (CEM, 2011).
Felizmente as estratégias alteraram-se quando os decisores e comunidade geral se aperceberam que reflorestar sem ter em atenção a preservação a biodiversidade endémica não tem sentido...
Abraço,
João
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Bibliografia
Centro de Estudos da Macaronésia (CEM) 2012, O Centro, consultado em 18 de Fevereiro de 2013, http://www3.uma.pt/cem/index.html
Rossman, A Y, 2001, A Special Issue on Global Movement of Invasive Plants and Fungi, BioScience, vol. 51, Nº 2, pp. 93-94, consultado em 8 de Fevereiro de 2013, http://www.jstor.org/stable/10.1641/0006-3568%282001%29051%5B0093%3AASIOGM%5D2.0.CO%3B2.
Silva, L. & Smith, C. 2004, A Characterization of the Non-indigenous Flora of the Azores Archipelago, Biological Invasions, Vol. 6, Nº 2, pp. 193-204, consultado em 18 de Fevereiro de 2013, http://link.springer.com/article/10.1023%2FB%3ABINV.0000022138.75673.8c